Publicado por: Verônica Almeida | janeiro 29, 2010

Two winters

When the winter comes

It’s as sky inside me

Everything’s beautiful

The lights shine

In a different way

I don’t know explain

But it’s gonna be a good day.

(Eu sabia que o frio la fora nada teria a ver com o sol que brilha aqui dentro)

Publicado por: Verônica Almeida | janeiro 22, 2010

Sem direcao

Hoje eu me perdi

Por ruas estranhas

Rostos desconhecidos

Mas com muita seguranca

Um pouco impaciente

Perguntei milhoes de vezes

E mais um carro passava

Pela avenida principal

Sinto falta dos meus amigos

Seria divertido se eles se perdessem comigo

E eh tudo diferente:

As arvores, as montanhas, os parques

O vento eh forte

E o dia, curto

E eu sabia que novamente me encontraria

O tempo ja nao faz diferenca

(Dedicado a Marilia, pessoa tao querida!)

Publicado por: Verônica Almeida | dezembro 24, 2009

Fragmentos em mim

Ele, que mal me conhecia deixou escapar um largo sorriso e me cumprimentou com um abraço tão gostoso que acreditei que ficaríamos abraçados pelo resto da vida, entrelaçados. Engano o meu.

Sempre há escolha, pois se há o problema você escolhe a maneira como vai encará-lo. E se há uma vida, você escolhe o sentido que dará a ela.

…                                                               

Porque se falta a metáfora, se sobra a rima, se é a letra o que me escapa; os versos são o que eu faço deles.

Em uma sexta-feira em que quase todas as possibilidades se esgotaram por si só, o que valeu a pena mesmo foi chegar em casa, ligar o amplificador bem alto, fazer o maior barulho e incomodar todos os vizinhos.

Eu quis um dia inteiro pra pensar em argumentos que fossem capazes de sustentar os meus pontos de vistas mais profundos. Mas não tive nem meio dia.

Sinto por não poder confortá-la e sinto mais por ter que ouvi-la dizer que não sabia que um tapa na cara doía tanto no peito.

Pois, às vezes não importa o quanto você se esforça, o seu desejo pra resolver as situações, a sua vontade e dedicação. Ninguém repara. E então você está inevitável e tristemente solitário.

E tem dias em que, sinceramente, as razões pelas quais eu devo levantar da minha cama se perdem, evaporam por completo. Ligo o piloto automático e pego o primeiro ônibus que passar.

Como que me convidasse para ir a praia “Vamos pra Austrália comigo?” É de se pensar…

Olhar o mar nunca é demais. E saber que existem céus maiores e melhores que o seu pode trazer conforto.

Publicado por: Verônica Almeida | novembro 29, 2009

Ali

 Ali eu desceria
Sem titubear
Era a próxima estação
Não havia erro
Ali eu desceria
Da maneira mais decidida
Mas então, contrariando a tudo
O que eu havia conversado comigo
Fiquei estática
Ouviu-se a campainha:
A porta se fechou
E eu fiquei sem reação,
Estagnada,
Imaginando que talvez, ali, te encontraria…
Publicado por: Verônica Almeida | novembro 8, 2009

Perspectivas

Sinto-me bem melhor aqui. Como se algo neste lugar fosse realmente capaz de trazer conforto a um coração angustiado por ter que abdicar a algumas falsas seguranças.

Ver o mar nunca é demais. E saber que existem céus maiores e melhores ajuda a ter perspectivas mesmo quando não se sabe para quais mares se ruma. Novamente aquela inquietação e busca, incessante, de um motivo que te faça caminhar.

Ando sem muitos motivos. Deveria estar mais feliz. As vontades todas estão inibidas.  Tento instigá-las… Em vão. Às vezes tanto faz. Parece que algumas coisas perderam o sentido.

Por que perder tempo indo fazer uma prova que sequer abriu o livro? E está com tanto sono que dormiria por horas. E a semana foi tão cansativa que queria ter um sábado sossegado.

Por que continuar com algo que já não traz satisfação? E está tão desanimado pra exigir qualquer esforço de si mesmo. E já sabe que não vale a pena.

Talvez tenha me perdido um pouco. Não era assim que o meu mundo acontecia. Não era assim que eu sentia. Agora muita coisa perdeu a importância. A inércia que me engole vai deixando tudo escapar de formas diversas. Meu corpo reage, expressando aquilo que sou incapaz. Eu reajo, tentando extrair coisas positivas.

A ansiedade se faz inevitável quando as oportunidades vão surgindo, ainda que timidamente. Esforço-me para visualizar mudanças, abraçar o novo, controlar a ansiedade. Novamente: Deveria estar mais contente. Não posso, porém, me culpar por um estado que não existe agora.

Todas estas emoções querem transbordar de uma maneira agressiva. E não poderia ser de outro modo: Deixei-as trancadas durante muito tempo. Já não controlo.

Todas as noites, coloco a cabeça no travesseiro pra tentar esquecer as angustias do meu dia-a-dia. Percebo, então, que passei o ano tentando encontrar algo que me escapa: Perspectiva.

Indo ao encontro de caminhos mais bonitos!

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

 

Porque esperar
Se podemos começar
Tudo de novo?
Agora mesmo

A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance,
O sol nasce pra todos,
Só não sabe quem não quer

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só

Até bem pouco tempo atrás,
Poderíamos mudar o mundo,
Quem roubou nossa coragem?

Tudo é dor,
E toda dor vem do desejo,
De não sentimos dor

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só.

 (Legião Urbana em “Quando o sol bater na janela do teu quarto”)

Publicado por: Verônica Almeida | outubro 23, 2009

Em busca de alguma leveza

Desejar, sonhar, desenhar…

Desenhar?

É. Deixar o lápis correr no papel,

Esquecido sobre a mesa

E… Deixar

Deixar-se!

Deixar que os instintos me levem

Pra longe

E te tragam…

Pra perto

Sem que dependamos, então, do tempo

Sem que pensemos, assim, no espaço

                                                           

Ter, esquecer, correr…

Correr?

Sim. Fazer concebíveis as oportunidades

Mesmo quando parecem distantes

E… Deixar

Deixar-se!

Deixar que os ventos me abracem

Pra que eu me sinta

Mais segura

E você…

Mais forte

Todos os fracassos serão construtivos

Todas as vitórias, comemoradas

                                                                                                         

Decidir, sorrir, partir…

Partir?             

Aham. Deixar tudo o que me corrói  

E me sentir, então, aliviada

E… Deixar

Deixar-se!

Deixar que alguma leveza me arraste

Pra perto

E te arraste…                                                                         

Pra longe

E de repente, o caminhar mais suave

De repente, o olhar mais sereno

 

(De repente de perto sem tempo sem espaço de longe)

Publicado por: Verônica Almeida | outubro 18, 2009

Álvaro de Campos

Abram-me todas as portas!
Por força que hei de passar!
Minha senha? Walt Whitman!
Mas não dou senha nenhuma...
Passo sem explicações...
Se for preciso meto dentro as portas...
Sim — eu, franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que há de passar por força, porque quando quero passar sou Deus!
 
Tirem esse lixo da minha frente!
Metam-me em gavetas essas emoções!
Daqui pra fora, políticos, literatos,
Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs,
Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida.
O espírito que dá a vida neste momento sou EU!
 
Que nenhum filho da... se me atravesse no caminho!
O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim!
Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo,
É comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito...

 

 

—-

 

 

Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
 
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
 
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
 
Que mal fiz eu aos deuses todos?
 
Se têm a verdade, guardem-a!
 
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
 
Não me macem, por amor de Deus!
 
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer cousa?
 
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
 
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
 
O céu azul — o mesmo da minha infância! —,
Eterna verdade vazia e perfeita!
O macio Tejo ancestral e mudo.
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
 
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

 

—-

 

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
 
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
(Trechos de poemas diversos de Álvaro de Campos)
Publicado por: Verônica Almeida | setembro 18, 2009

Sentido.

Mais uma vez você tem razão.

A vida tem feito todo sentido dentro do sentido que criei pra ela? E o sentido que encontrei pra vida em algum momento, agora findo, serei capaz, ainda hoje, de reencontrá-lo? E se não reencontrá-lo, será que consigo destruí-lo e reconstruí-lo de maneira que as bases sejam mais firmes do que outrora?

(…)

Talvez.

Gosto da minha letra de fôrma porque não sei escrever de outra forma, e não porque é realmente bonita. Gosto de ir àquele barzinho porque é mais perto, e não porque é o melhor. Se a letra não é bonita, se o barzinho não tem o melhor serviço, é porque esqueci destes detalhes… De repente já não fazem a diferença que deveriam. Isso acontece todas as vezes em que se vive sem fazer sentir. Sentido.

Talvez tudo tenha virado rotina sem que eu me desse conta: As atitudes, o olhar, o sorriso, o discurso, o lugar. Talvez algumas coisas tenham passado e não dei o braço a torcer (só pra provar que estou certa uma vez mais).  Tudo decorado inconscientemente porque é mais fácil, é mais seguro. O risco de cair é menor, embora exista ainda sim.

Como eu faço agora para destruir todas as inferências criadas por uma lógica tão minha e que, por essa mesma razão, não compartilho?

E se tudo isso se perdesse de uma hora pra outra, algo de realmente importante se perderia? Sentir-me-ia mais leve ou angustiada?

—- 

Eu devo ir
Não há mais sentido
Nos resta se juntar

Quem sou eu
Já não importa
Nem nunca importou

O que importa é o que te quebra em duas cidades
O que importa é o que te deixa tão transfuso

O que é a dor eu não entendo
Mas sinto apertar de leve o meu peito
Nas madrugadas quando estou a navegar

Faz quarenta dias que eu estou no meu barco a vela
E não me sinto tão sozinho, eu tenho meus amigos
Que só aparecem quando eu bebo

Que só aparecem quando eu bebo
Que só aparecem quando eu não sou eu
E hoje eu não…

O que importa é o que te faz rachar as velas
O que importa é o que te faz abrir os olhos de manhã

Já é de manhã
Já é de manhã
Já é de manhã
Já é de manhã
Adeus, já é de manhã
A estrada espera, já é de manhã…

(Vanguart em “Para abrir os olhos”)

Publicado por: Verônica Almeida | setembro 5, 2009

(Tanto que já não há)

Há tantas pessoas naquele salão

Que já não cabem mais

Há tantas pessoas que lutam contra a solidão…

 

Há tantas pessoas pra discutir

Mas parece que já não há paciência em ouvir

Há tantas pessoas com tantas idéias…

 

Há tantas pessoas

Nesse mundo

Que fica difícil

Dizer tudo

 

Há tantas pessoas que correm por nossas vidas

Que já não é de se estranhar:

Há tantas pessoas que já não são tantas!

 

Há tantas pessoas que já não há mais

E  juntas são sozinhas

Perdem-se no caminho

Restam poucas:

As mais especiais.

Publicado por: Verônica Almeida | julho 12, 2009

Há quanto tempo?

  Hoje eu acordei sentindo falta de algumas pessoas. Há quanto tempo você não fala com aquela pessoa com quem dividia os mais sinceros segredos? O quanto vocês se distanciaram pelas rotinas diferenciadas? A maior parte da culpa pode não ser sua, como você sempre julga, mas há quanto tempo você não manda um e-mail ou liga nem que for apenas pra dizer um “olá”?

  Hoje eu acordei cedo pra cumprir mais um compromisso. Há quanto tempo não há tempo para não fazer absolutamente nada? O quanto você se esforça pra viver todos os dias de cada semana? E o quanto a rotina pode te incomodar a ponto de te deixar estressado?

   Hoje a casa estava vazia, e, por isso, passei parte da tarde gélida sozinha. Há quanto tempo você não ouve a sua própria voz? Há quanto tempo não se olha no espelho pra apreciar o próprio sorriso? E como isso pode fazer toda a diferença?

   Hoje precisei ouvir uma música. Há quanto tempo você não a ouvia? Há quanto tempo deixara de refletir sobre a letra? E há quanto tempo não presta atenção no som do piano?

  Hoje saí com amigos. Há quanto tempo não dava aquela gargalhada lembrando fatos passados? Há quanto tempo não sentia uma conversa agradável, daquelas que você quer ficar a noite toda conversando e descobrindo as novidades?

   Hoje um rapaz me convidou pra sair. Há quanto tempo você não se sente disposta para se relacionar por julgamentos precipitados? E o quanto você quer encontrá-lo?

   Hoje dormi profundamente e tive sonhos confusos. Há quanto tempo as cores já não são nítidas? Há quanto tempo sonha com as mesmas pessoas e situações semelhantes? Há quanto tempo não sabe o significado de seus próprios sonhos?

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