Publicado por: Verônica Almeida | Julho 3, 2009

Estratégias via-msn

Fernanda diz:

Não acredito que eu fiz isso!

Fernanda diz:

liguei do celular da minha mamãe pra casa do César, a mãe dele atendeu e eu não respondi! hahahahaha

Verônica diz:

pq vc desligou?

Fernanda diz:

ah, porque eu não quero que ele saiba que eu tenho o telefone da casa dele

Verônica diz:

hahaha

Verônica diz:

n foi ele quem te passou?

Fernanda diz:

e estou com vergonha de pedir para chamá-lo!

Fernanda diz:

que inferno!

Verônica diz:

pq ligou então?

Fernanda diz:

não! eu peguei no celular do Lucas, marotamente. hahahaha

Fernanda diz:

porque queria ver se ele atendia na casa dele

Verônica diz:                                                                                    

aaaaaah

Verônica diz:

pede pra falar com ele e dá outro nome. huahua

Verônica diz:

quando ela chamar vc desligaaaa, hahahaha

Fernanda diz:

nossa! boa idéia!

Fernanda diz:

mas acho que ela vai saber que fui eu…

Fernanda diz:

que liguei e desliguei

Verônica diz:

e daí?

Verônica diz:

ela n sabe quem vc é

Verônica diz:

vc diz que é Flávia

Verônica diz:

Larissa, Luana

Fernanda diz:

francisca

Verônica diz:

Exatamente, esse é o espírito! Francisca…Ela vai achar que foi essa pessoa

Fernanda diz:

hahahahahahahaha

Verônica diz:

hahahaha

Verônica diz:

Clarisse

Fernanda diz:

Rodriga! hahahahaha

Fernanda diz:

mas por que a Flávia ligaria na casa do César justamente hoje que ele marcou de sair com a Fernanda para lhe contar um segredo?

Verônica diz:

pq a Flávia é uma idiota

Verônica diz:

e n sabe de nada

Fernanda diz:

não! ele vai saber que fui eu…

Verônica diz:

quando ela chamar então e ele atender vc diz “É mentira…é a Fernanda, surpresaaaa” hahahha

Fernanda diz:

sério?

Fernanda diz:

acha que eu deveria fazer isso?

Verônica diz:

Jamais!

Fernanda diz:

ia ser engraçado!

Verônica  diz:

hahaha

Verônica  diz:

ia, eu estou rindo loucamente

Fernanda diz:

eu também

Fernanda diz:

vou fazer isso, mas mais tarde, quando eu estiver bêbada

Fernanda diz:

apesar de que vai ser super tarde, né?

Verônica diz:

as minhas idéias são maravilhosas!                       

Fernanda diz:

farei agora!

Publicado por: Verônica Almeida | Julho 1, 2009

Independência

   (…) Só que as pessoas só exigem dos outros. E me diz como um objeto pode causar tantos sentimentos? Como esquecer a chave de casa antes de ir trabalhar é capaz de gerar tanta discórdia? Como uma frase pode te jogar no chão? Como situações imbecis são capazes de te deixar extremamente apreensivo, temendo coisas inconcebíveis? E como fatos bobos podem causar arrependimentos não tão bobos?

   Simples – você se permite tudo isso.

   (Eu quero cada vez mais distância porque sei que, de certa forma, não posso depender tanto dos outros e também sei que, pior do que isso é não poder contar com as pessoas que aparentemente deveriam ser as que mais te apoiam).

—-

   Se eu te peço um apoio, você pensa em me derrubar

    Se eu espero carona, você vem me atropelar

    O que foi que eu fiz de errado? O que é que eu deixei de fazer?

    Algo me diz que se há um culpado nessa estória - é você

    Até ontem ficávamos escondidos lado a lado, dividindo o mesmo abrigo

    Se eu ligo o rádio é pra esquecer sua voz

    No porta-retrato uma nuvem tão cinza se formou entre nós    

    E não há nada nesse mundo que me faça voltar atrás

    (Trecho  de Atalhos em “Mocinho e bandido”)

Publicado por: Verônica Almeida | Junho 21, 2009

Inferências

Se achar que tem que falar

Não guarda nada, vai e diz

Sem medo de machucar

Sei bem cuidar de mim

 

Se quiser me enganar

Vai, sem pestanejar

Pois eu nem vou saber

Quem pensa que engana: você ou a mim?

 

Se pensar em corrigir

Não faça sem um largo sorriso

É melhor do que fingir

Que está tudo preciso

 

Se quiser me contrariar

Por favor, faça isso

Não posso te controlar

Só respondo mesmo por mim

 

Se olhar para trás e ver

Que houve muito desperdício

Volta pelo mesmo caminho

E procure algum resquício

 

Se pensar que vale a pena

Jogar tudo pro alto

Vai e joga, mas depois

Não vem brigar comigo

 

Se o trabalho for mais importante

Tudo bem, vou entender

Só não espere que o meu

Seja menos relevante

 

Publicado por: Verônica Almeida | Junho 9, 2009

Sentimentos paradoxais

A minha felicidade, tantas vezes, se limitou a uma palavra, um gesto, um olhar seu. O meu sorriso, tantas vezes, se condicionou a uma frase, um abraço, uma ligação sua.

 

Eu gosto tanto e tanto de você que me sinto feliz ao te ver feliz, porém o seu estado já não determina (de jeito nenhum) o meu.

 

Eu penso tanto e tanto em você que se torna fácil me perder em todas essas cores, que refletem sempre a sua imagem: Forte e fraca; óbvia e confusa; clara e escura. Ah! Esses paradoxos que tanto me afligiram já não causam mais o mesmo efeito.

 

Eu sinto tanto e tanto a sua falta que seria de total insensibilidade a minha… Querer esconder!

 

E acho tão irônico ter inibido toda a minha intensidade quando era você todo o tempo, ali, dizendo que deveríamos prestar atenção. É provável que o seu discurso não seja tão coerente quanto acreditei.

 

Já escrevi milhões de textos que se parecem tanto com este, mas que se distanciam no exato momento em que meu desejo inexorável não é mais que você conheça todos esses sentimentos e pensamentos. Pois, somente agora percebi que para mim, de certa forma e, sinceramente, tanto faz!

 

Talvez seja reflexo dos sentimentos que você mesmo alimentou aqui dentro, todas as vezes em que virava as costas, somando um imenso vazio. Caso um dia perceba qualquer erro nesse sentido e vier me procurar pode ser que eu me vire em direção a você. Pode ser. Existe também a possibilidade de me virar do lado contrário e não tenho com isso qualquer pretensão de vingança. É só que os contextos mudam.

 

E a indiferença que me esforcei para exibir se tornou tão espontânea quanto o amor que ainda resta. Eu não sei explicar, mas os meus sentimentos estão paradoxais. E se ainda sinto o meu coração bater, são os meus olhos que já não sentem a mesma vontade de te ver.

Publicado por: Verônica Almeida | Junho 4, 2009

Imagens

Sei que é uma fase. Todas essas sensações e (in)certezas que me incomodam tanto nesse momento. Preciso, portanto, não necessariamente entender, mas absorver.

Amanhã resolverei coisas menos urgentes e, assim, poderei dormir até mais tarde, mas não muito tarde. Apesar de não haver grandes planos. À tarde alguns compromissos e depois talvez tocar guitarra, assistir um filme, ler o livro que ficou pela metade em cima do baú, passar a tarde nublada dentro de casa. Não quero sentir frio lá fora quando aqui dentro neva.

Nem todas as imagens são lindas. Nem todas as coisas são visíveis. Se o seu interior fosse visível, o que será que veria?

Creio que algumas coisas não se materializam propositalmente, por não serem plausíveis. No entanto, se alguém pudesse enxergar o que há por dentro, certamente se assustaria. E o que posso fazer se é o que sinto, afinal?

Sei que vai passar. Todas essas emoções que insistem em flutuar enquanto eu morro de medo que elas se afoguem. Porém, não posso aguardar, simplesmente, numa conduta frívola, que as coisas aconteçam espontaneamente.

Depois de amanhã precisarei resolver problemas maiores, todavia poderei dormir até mais tarde, muito mais tarde. Há grandes planos. À tarde sair com os amigos e depois talvez sorrir com o seu comentário, conversar sobre a música, recomendar o livro já lido, passar a tarde nublada assistindo a algum filme interessante. E o frio que estará lá fora nada terá em comum com o céu ensolarado que brilhará aqui dentro.

Algumas imagens são lindas. Contudo, nem todas as coisas são visíveis. Se o seu interior fosse visível, qual seria a cor?   

Não que seja concebível, tens toda a razão, meu amor. Mas, se alguém pudesse enxergar, ficaria tão eloqüente o que estou tentando dizer. Porque, o que são palavras se não associadas às imagens? Diz-me, por favor, o que são palavras quando somente palavras?

Publicado por: Verônica Almeida | Maio 2, 2009

Foca!

   Lembro de um episódio engraçado entre a infância e o início da adolescência. Numa tarde qualquer eu e minha irmã brigamos por um motivo qualquer, que já não recordo. Deve ter sido algo extremamente relevante. Meu primo presenciara tudo com um sorriso meio sem graça.

   E eu sentia muita raiva, precisava ofendê-la, me vingar de qualquer maneira, ali mesmo, antes que toda a raiva passasse. Precisava dizer impropérios que ela jamais ouvira, algo que a machucasse, que expressasse tudo o que eu sentia.

   Eu precisava de um palavrão, de um apelido. Espera!  Palavrão não adiantaria, ela não se ofenderia, já conhecia todos. Apelido? Já havia se acostumado.

   Pronunciei uma palavra, a primeira que veio e eu nem mesmo a conhecia:

 - Neófita.

- O quê?

- Neófita!

- O que é isso?

- É você, Neófita!                                                                                     

   Achei que se repetisse a palavra algumas vezes ela ficaria inibida.

 - Olha Verônica, vou olhar no dicionário agora, se for um palavrão vou contar pra mãe.

  Meu primo ria desesperadamente. E eu torcendo para que fosse algo horrível, mesmo sabendo que me ferraria.

   Com o dicionário na mão ela veio em minha direção e leu alto:

 - Você deu sorte! “Neófito: Pessoa que recebe ou está para receber batismo, recém-admitido numa corporação; principiante, novato.”                                                                  

   Humm, não deu certo. Precisava dizer algo digno de uma ofensa. Foi quando aconteceu. De repente meus lábios mexeram, meus olhos brilharam, imersa na minha própria criatividade e raiva incontida pronunciei, titubeando de emoção:

 - Sua… Sua… Sua foca!

    Ouvi a gargalhada do meu primo, ainda ao meu lado e senti a fúria de minha irmã. Havia conseguido, enfim!

Publicado por: Verônica Almeida | Abril 21, 2009

Espelho

   Domingo. Angústia dói. Não quero ouvir o que meu coração tem a dizer, pois já sei o que é. As coisas vão acontecer, mas quando eu vejo… Elas já aconteceram. Isso me assusta, o tempo me deixa pra trás toda a vez. Porque quando eu penso em correr ele já foi.

   Segunda-feira. A impressão é que tudo está fora de lugar. Ligo o piloto automático e pego o primeiro ônibus que parar. Não quero enxergar dias que provavelmente serão esquecidos.

   Terça-feira. O fato é que não estou mais interessada em quase nada. Um convite aqui, uma obrigação ali. Tudo me parece a mesma coisa, não sinto a diferença óbvia entre o dever e o prazer. É essa minha ausência de motivos, que atravessa cada dia mais uma avenida.

   Quarta-feira. E sei que não posso me esconder. Não agora. A situação ficaria bem mais delicada. Estou me esforçando e me forçando a fazer certas coisas, que contrariam o meu coração.

   Quinta-feira. Tenho fortes ímpetos de desistir de caminhar (e essa idéia me dá um grande alívio). Só que não posso, preciso caminhar e tentar encontrar algo maior. Vou gritar. Não, não vou. Vou pra longe. Não, definitivamente, não vou.

   Sexta-feira. Será que vai acontecer alguma coisa? Alguma coisa grande que seja capaz de trazer cor aos meus dias? Será que alguém vai aparecer de repente? Aparecer pra me dizer algo relevante? A ansiedade cresce tanto se tornando expectativa, que, por sua vez, não passa de decepção.

   Sábado. Música, livros, risadas, pessoas, conversas. Não quero mais pensar porque amanhã… Bem, amanhã é domingo de novo.

   Preciso fugir dessa solidão que me puxa e me puxa com toda a força pra junto de si. Ela quer me abraçar.

   Preciso fugir desse vazio que me abriga com tanto cuidado, obrigando-me a ficar estática. Ele quer me aprisionar.

   Só que não vou deixar.

 —-

 

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus…

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome…

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle…

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

(…)

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor, cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado…

 

(Adriana Calcanhoto em “Esquadros”)

 

Publicado por: Verônica Almeida | Abril 11, 2009

Absurdos e links

A política tem se tornado, cada vez mais, pra mim, algo distante. Escândalo atrás de escândalo ninguém se surpreende mais.

Absurdos diários e eternos.

 

——

Estou devendo um negocinho pra vocês:

Blog 100 

Selo: Este Blog é 100!


Indicado por Gleice Couto, que recebeu do Acayrã do Deserto , que, por sua vez, foi indicado por Fabio Santos.

 

 Regras básicas de sobrevivência de um selo:


1- Publicar o selo em seu blog e dizer qual blog recebeu, colocando o link do mesmo;

2- Publicar a história e o motivo do selo;
3- Repassar o prêmio selo a três blogs, sendo que o selo não pode ser enviado ao mesmo blog por mais de uma vez ( assim mais blogs poderão ser homenageados);
4- Publicar no blog o endereço dos homenageados e avisá-los que receberam o selo.

 

Ok, vamos lá! Eu indico:

 

  •  Vestígios do dia. Ah, porque ele é o verso que me falta, a metáfora que nunca acaba, a palavra que me escapa.

 

  •  A vida é uma blog II. Porque o Jorg… Quer dizer, o Conrado sabe imitar o Nhonhô e o Godinez muito bem, tem até uma certa profundidade, não é? (“Verônica não veio!”).

 

  •  Castelo de cartas. Embora desativado, é um dos espaços que mais me identifico, além de ter sido um dos incentivadores disso tudo. Dri, não há um dedo seu aqui, mas uma mão inteira. E o bar é sempre muito bem-vindo!

 

PS: Esse é 100° post.

 

PS again: Pessoas, não bebam! Não sou Verônica Almeida, a nadadora! Parem de deixar mensagens e incentivos porque eu mal sei nadar.

 

 

 

 

Publicado por: Verônica Almeida | Abril 6, 2009

Sonho de consumo

 

Marcelo, Gustavo e Pablo estavam sentados na calçada entediados. Aquelas tardes depois do trabalho já não eram tão boas. A idéia foi de Gustavo, para aliviar o tédio fariam uma brincadeira, um deles daria um tema e os três teriam que responder. Uma espécie de verdade ou desafio, sem o desafio.

Marcelo então deu o tema: Sonho de consumo.

Gustavo começou:

- Meu sonho de consumo é ter muito dinheiro e então comprar três mansões, dez  carros, comprar duas mulheres, dois cinemas, a avenida Paulista se chamaria Gustavo, pois eu a compraria também.

Os dois olharam espantados. Era a vez de Marcelo, um pouco menos pretensioso:

- Meu sonho é ter apenas uma mansão, cinco carros e uma mulher me bastaria, não quero cinemas e a avenida Paulista continuaria sendo Paulista.

Só restara Pablo:

- Meu sonho é dormir apenas uma noite durante doze horas ininterruptas, não preciso nem sonhar. Só dormir.

- Ah, cara! Brincou, né? Eu e o Marcelo realizaremos nossos sonhos em uns 15 ou 20 anos, no máximo, mas você demorará milênios e talvez nunca realize.  

- Concordo. Você poderia sonhar um pouco menos! Acha que a vida é fácil? É essa sua mania, Pablo, de querer muito mais do que você realmente pode, ainda vai bater muito a cara nessa vida.

Publicado por: Verônica Almeida | Abril 1, 2009

Um ou dois versos

 

Se você não pode, eu compreendo

Se você não quer, eu respeito

E se você diz que vai chegar…

Eu espero, te espero

Enquanto escrevo

Um ou dois versos

Em letras de fôrma

Porque não sei de outra forma

Para logo em seguida  

Transformar em pedaços,

Guardar naquela caixa grande e vazia

Que é o meu coração

 

Se você está disposto, eu incentivo

Se você diz que vai, eu acredito

E se você diz que vai demorar…

Eu escrevo, te escrevo

Enquanto espero

Em um ou dois versos

Pra expressar tudo o que eu sinto

Mesmo que você não queira saber

Porque aí então

Basta rasgar em muitos pedaços

Jogar no chão da sala grande e vazia

Que ninguém vai perceber

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