Domingo. Angústia dói. Não quero ouvir o que meu coração tem a dizer, pois já sei o que é. As coisas vão acontecer, mas quando eu vejo… Elas já aconteceram. Isso me assusta, o tempo me deixa pra trás toda a vez. Porque quando eu penso em correr ele já foi.
Segunda-feira. A impressão é que tudo está fora de lugar. Ligo o piloto automático e pego o primeiro ônibus que parar. Não quero enxergar dias que provavelmente serão esquecidos.
Terça-feira. O fato é que não estou mais interessada em quase nada. Um convite aqui, uma obrigação ali. Tudo me parece a mesma coisa, não sinto a diferença óbvia entre o dever e o prazer. É essa minha ausência de motivos, que atravessa cada dia mais uma avenida.
Quarta-feira. E sei que não posso me esconder. Não agora. A situação ficaria bem mais delicada. Estou me esforçando e me forçando a fazer certas coisas, que contrariam o meu coração.
Quinta-feira. Tenho fortes ímpetos de desistir de caminhar (e essa idéia me dá um grande alívio). Só que não posso, preciso caminhar e tentar encontrar algo maior. Vou gritar. Não, não vou. Vou pra longe. Não, definitivamente, não vou.
Sexta-feira. Será que vai acontecer alguma coisa? Alguma coisa grande que seja capaz de trazer cor aos meus dias? Será que alguém vai aparecer de repente? Aparecer pra me dizer algo relevante? A ansiedade cresce tanto se tornando expectativa, que, por sua vez, não passa de decepção.
Sábado. Música, livros, risadas, pessoas, conversas. Não quero mais pensar porque amanhã… Bem, amanhã é domingo de novo.
Preciso fugir dessa solidão que me puxa e me puxa com toda a força pra junto de si. Ela quer me abraçar.
Preciso fugir desse vazio que me abriga com tanto cuidado, obrigando-me a ficar estática. Ele quer me aprisionar.
Só que não vou deixar.
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Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus…
Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome…
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle…
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?
(…)
Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor, cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado…
(Adriana Calcanhoto em “Esquadros”)
Vevê,
Se você quiser eu te puxo com toda a força e abraço, eu te abrigo com todo o cuidado.
Adoro-te!
Por: Luciano em Abril 26, 2009
às 3:44 am
É eu sei como você se sente menininha…mas temos que acreditar que um dia a gente chega lá…seja lá onde for…
Beijos
Por: Thássia Cristina em Abril 26, 2009
às 5:55 pm
Não gosto dos abraços da solidão. São frios e silenciosos.
Não gosto dos dias que perco. São úteis, às vezes ilusoriamente. Mas são meus.
Ótimo texto.
Saudades, menina.
Por: Gleice Couto em Abril 27, 2009
às 2:44 pm
O maior problema da solidão é o sentimento aconchegante que ele traz quando estamos a sós com ele…
Por: Marília em Abril 28, 2009
às 7:39 pm
muito bom, eu adoro fds, livros, bebidas e amigos, embora tudo pareça estar em falta, deve ser a crise
Por: conrado em Maio 1, 2009
às 4:17 pm