Publicado por: Verônica Almeida | janeiro 29, 2012

Sobre discursos vazios

 De forma geral e, principalmente no mundo Ocidental, a liberdade de expressão foi consolidada com o advento das democracias. Obviamente há as particularidades como a recente e reprimida Marcha da Maconha em SP pelo seu teor de apologia ou lembrando o caso do jornalista norte-americano Larry Rother, que teve seu visto suspenso por ter escrito sobre os hábitos duvidosos do então presidente Lula.

Diante deste contexto, todo o mundo é dono de uma opinião, ainda que sua opinião seja o de não ter uma opinião. Sendo assim, não se luta mais para se expressar, simplesmente  expressa-se, mesmo que não tenha o que se expressar. Não raro, neste cenário, surgem bandas de rock, atores, blogs, relacionamentos e pessoas públicas vazias de conteúdo numa imprensa e num mundo onde o que se tem é mais importante do que o que se é de fato.

Basta pensar em tudo aquilo que esta na moda, desde roupas às músicas que você consome. É de fato o que te atrai ou é um gosto que se impõe frente à popularidade gerada? Representa a sua falta de personalidade e, com isso, te aproxima mais do resto do mundo?

Torna-se tão vazio que é capaz de nos satisfazer momentaneamente para logo em seguida cair no esquecimento, divergindo do conceito tão atual de sustentabilidade, que deveria ultrapassar as barreiras do ecossistema.

E num mundo globalizado, a internet – uma revolução nos meios de comunicação – e a ascensão das redes sociais nas suas mais diversas formas, têm papel fundamental na exposição de indivíduos até pouco tempo, anônimos. Como resultado e característica indispensável da sobra de conceitos superficiais e estereotipados, tem-se intrínseco à uma realidade conivente com estes mesmos conceitos, o discurso vazio. Reflexo de uma sociedade que não pensa, não critica, não luta e, por vezes, não come. Reflexo do não encorajamento à procura de respostas que nos satisfaçam mais, da imprensa que nos aliena e da ameaça de exclusão do meio social.

E ainda que reclamem dos clichês, creio na sua eficácia quando ditos com verdade.

Questione. Critique. Escolha. Livre-se dos conceitos superficiais e estereotipados, que nos fazem menores e iguais a tantas pessoas ao redor. E é de fato o que querem.


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